Poesia. Poesia é algo bom. Sempre está próxima quando preciso. Mas, precisa-se da poesia? Eu preciso. Às vezes o mundo falha, eu falho comigo mesmo. Às vezes o contorno das coisas vacila e minhas mãos não conseguem, simplesmente não conseguem. Vespas, formigas e cupins em profusão criam um tornado de patinhas repugnantes em meu cérebro. As pessoas me parecem ocas, e a “ocura” das pessoas ecoa a minha própria “ocura”. E sempre há o abismo. O abismo entre duas “ocuras”.
Daí a poesia preenche. Você pega um objeto qualquer, um tijolo, por exemplo. O tijolo é cheio de rugosidades em sua superfície, além de falhas, reentrâncias. Se você mergulhar o tijolo na água, todas as falhas e reentrâncias serão preenchidas. Momentaneamente aplainadas. Às vezes eu sou o tijolo e às vezes a poesia é a água. É o que sinto, mais ou menos. A água da poesia faz de mim um tijolo perfeitamente liso.
O tijolo chupa a água. Ele fica mais fácil de ser quebrado, porém, mais pesado, muito mais pesado. Às vezes sou um tijolo pesado e frágil, outras um tijolo leve e duro. Barro, especificamente. Barro moldado.
Imagina um tijolo que possuísse a capacidade de se auto-modelar como bem lhe aprouvesse, um tijolo estrela, um tijolo gato, um tijolo garrafa térmica... Acho que as construções seriam bem mais interessantes porque não teriam nunca uma forma única e fixada pela eternidade. Você percorre determinado trajeto todos-os-dias rumo ao trabalho. E, como os tijolos são os mesmos, a paisagem só te fascina uma primeira vez. Mas, com nossos tijolos auto-modeláveis você nunca saberá o que vai encontrar no trajeto de todos-os-dias porque as construções... as construções nunca deixam de estar em “construção”.
Os prédios andam e sorriem.
Tijolos pesados que sabem escolher pingam poesia.
Outro dia eu estava na sala de aula cumprindo ordens. Foi quando eu percebi uma falha no muro dos tijolos leves e duros que não se modelam. Percebi que poderia apresentar um pouco de poesia para as crianças. Não recalcitrei, me espremi pela fenda.
Ficou algo assim:
A poesia, de onde ela vem? Melhor, vamos tratar de algo mais abrangente. A arte. Ela vem de muitos lugares. São muitos os temas e muitas as inspirações. Mas existe certo processo que é bem parecido para cada um que realiza arte. O poeta, o músico, o escultor, o desenhista, você, eu... a pessoa que faz arte não a faz porque ela é chique ou para parecer importante, pode até fazer isso posteriormente, depois que começa a buscar uma recompensa. Mas, o “primeiro” impulso... É uma necessidade incontrolável e inescapável de comunicar. Comunicar a si mesmo. Se a pessoa não conseguir comunicar aquilo (Issso!) ela morre um pouco dentro dela (e ela sabe disso de forma consciente ou inconsciente!). Talvez ela(e) não seja muito chegada em escrita, ou talvez não saiba desenhar, tampouco conheça os métodos de esculpir em pedra ou madeira... quando isso acontece vemos uma nova forma de arte nascer. A arte que aquela pessoa em específico fará vir à luz para comunicar aquilo que ela não poderia jamais silenciar.
Sei lá, a vida é dura, irmão!


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